06 de dezembro de 2017 às 15:01

Na capa da Time, Taylor Swift fala de assédio: "Ainda há pessoas com medo"

A Personalidade do Ano da revista "Time" não é apenas uma, mas todos que quebraram o silêncio contra assédios e abusos sexuais.

Em um ano em que a indústria do cinema e da música se viu no centro das principais acusações, artistas como Ashley Judd e Taylor Swift estampam a capa da publicação ao lado da lavradora Isabel Pascual (pseudônimo), a lobista Adama Iwu e a ex-engenheira do Uber Susan Fowler.

Artista americana que mais vende discos ultimamente, Swift revelou ter se sentindo culpada pelas consequências do assédio sexual que sofreu em 2013.

A cantora acusou o radialista David Mueller por ter colocado a mão por debaixo da sua saia e apalpado suas nádegas enquanto os dois posavam juntos em uma sessão de fotos antes de uma apresentação em Denver. Ao expor o caso, Mueller foi demitido e processou Swift. A cantora o processou de volta e ganhou. Pediu em contrapartida o valor simbólico de US$ 1. 

Imagem: Reprodução/Time “Embora a conscientização sobre o assédio sexual no local de trabalho esteja mais alta do que nunca, ainda há muitas pessoas que se sentem vítimas, com medo e silenciadas por seus abusadores. Quando venci o processo, o homem que me agrediu sexualmente foi ordenado pelo tribunal a me dar um valor simbólico de 1 dólar. Até hoje ele não me pagou esse dólar, e acho que esse ato de desafio é simbólico“, afirmou a cantora à “Time”. Quando eu fui prestar depoimento, tive que ver o advogado desse homem intimidar e assediar minha equipe, incluindo minha mãe, eu fiquei com muita raiva".

Questionada o que falaria para outras mulheres que sofreram assédio, Swift afirmou que nenhuma vítima deve se sentir culpada:

Você pode ser forçada a sentir que está reagindo de forma exagerada, porque a sociedade fez com que essas coisas parecessem ocasionais. Meu conselho é que você não se culpe e que não aceite a culpa que os outros tentarão colocar em você. Você não deve ser culpada por esperar 15 minutos ou 15 dias ou 15 anos para denunciar agressão ou assédio sexual, ou pelo o que acontece com uma pessoa depois que ele ou ela faz a escolha de assediar ou agredir sexualmente

Ao lado da cantora, a atriz Ashley Judd afirmou que falou do assédio que sofreu do produtor Harvey Weinstein aos 29 anos desde o primeiro momento. "Literalmente, eu saí do quarto do hotel em 1997 e desci novamente no lobby onde meu pai estava me esperando, porque ele estava em Los Angeles, Kentucky, me visitando no set. E ele poderia dizer apenas pelo meu rosto que algo devastador havia acontecido comigo. Eu disse a ele. Eu disse a todos."
Judd foi a primeira atriz a denunciar Weinstrein no “The New York Times”, dando o pontapé para um movimento que não tem nome, mas que tem uma voz bem forte este ano.

A reportagem da “Time” ainda conversou com o ator Terry Crews, o Julius do seriado “Todo Mundo Odeia o Chris”, que confessou ter sido assediado pelo empresário Adam Venit, e com o cineasta Blaise Godbe Lipman, que foi assediado aos 18 anos pelo agente Tyler Grasham.

“Eu experimentei um pouco dessa culpa da vítima. Pessoas devassaram meu Instagram e selecionaram fotos em pose sexy, como se isso me desacreditasse para falar sobre violência sexual. E homens gay são altamente sexualizados pela mídia então surgir com uma história sobre assédio sexual, especialmente uma que envolve álcool e drogas, há uma ideia de: ‘bem, você não queria isso?’”, relatou o diretor.

Fonte: UOL

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